A Trajetória Econômica

A História de São Paulo - SP

Como o povoado erguido em 1554 sobre o planalto de Piratininga se tornou, em pouco mais de quatro séculos, o maior município do país: a cidade de São Paulo.

Uma colina entre dois rios, em 1554

São Paulo nasceu no planalto de Piratininga, a cerca de 760 metros de altitude, atrás da escarpa da Serra do Mar. O sítio original era uma colina estreita entre os vales dos rios Tamanduateí e Anhangabaú, a pouca distância da várzea do Tietê, curso d'água que corre para o interior e servia de via de penetração rumo ao sertão. Foi nesse ponto elevado e de fácil defesa que se formou, em 1554, o povoado de São Paulo de Piratininga, origem do atual município.

A ligação com o litoral era feita por trilhas antigas que venciam a serra, depois consolidadas no chamado caminho do mar. A partir do planalto partiram, nos séculos XVII e XVIII, as expedições conhecidas como bandeiras, e o povoado funcionou como base de abastecimento e ponto de reunião dessas jornadas pelo interior do continente. A economia era modesta, apoiada em roças de subsistência, criação, farinha de mandioca, trigo e no comércio das tropas de muares que cruzavam o planalto.

Foral, capitania e carta régia

O foral de 5 de setembro de 1558 elevou o povoado à condição de vila com o nome de São Paulo, ato que transferiu para o alto do planalto a sede administrativa criada em 1553 na borda do campo. A instalação ocorreu em junho de 1560, quando a povoação passou a ter câmara própria e território delimitado. Por mais de um século a vila permaneceu pequena, com construções de taipa de pilão e perímetro urbano restrito ao triângulo formado entre as ladeiras que desciam para os dois rios.

Uma provisão de 22 de março de 1681 tornou São Paulo cabeça de capitania, mudança efetivada em 1683, que ampliou suas funções administrativas sobre um território muito extenso. A carta régia de 11 de julho de 1711 deu à vila o título de cidade, mantido desde então. Ainda assim o crescimento foi lento: o recenseamento de 1872 registrou pouco mais de 31 mil habitantes no município, número que só se multiplicaria com a chegada dos trilhos e da imigração.

Do café aos teares: trilhos e bairros fabris

O escoamento da produção dependia da descida da serra, melhorada pela calçada do Lorena, concluída em 1792 entre o planalto e o litoral. O salto veio com a ferrovia: a São Paulo Railway, aberta ao tráfego em 16 de fevereiro de 1867, ligou o porto de Santos a Jundiaí passando pela cidade e estruturou a rota do café do oeste paulista. Seguiram-se a Companhia Paulista de Estradas de Ferro, constituída em 1868, e a Estrada de Ferro Sorocabana, cujo primeiro trecho, de São Paulo a Sorocaba, foi inaugurado em 10 de julho de 1875 para transportar algodão.

Como entroncamento ferroviário, a cidade concentrou casas comissárias, bancos e armazéns ligados ao café. A imigração em massa reforçou o quadro: a Hospedaria de Imigrantes, que começou a receber estrangeiros em 1887 na várzea do Tamanduateí, encaminhou levas de recém-chegados que se fixaram junto aos trilhos. Ali se formaram os bairros fabris do Brás, da Mooca e do Belenzinho, com tecelagens e metalurgias, entre elas o cotonifício instalado em 1897. Em 8 de dezembro de 1891 foi entregue a Avenida Paulista, traçada sobre o espigão central.

Onze milhões de paulistanos

Nenhum município brasileiro reúne mais gente: foram 11.451.999 pessoas recenseadas em São Paulo em 2022, em pouco mais de 1.521 quilômetros quadrados — perto de 7.528 moradores por quilômetro quadrado. Ao redor da capital, outros 38 municípios completam uma região metropolitana de mais de 20 milhões de habitantes, e o crescimento populacional hoje é bem mais lento do que o observado ao longo do século XX.

A base econômica deixou de ser predominantemente industrial e se tornou terciária. O município concentra o maior produto interno bruto municipal do país, perto de um décimo do total brasileiro, com peso decisivo dos serviços. Os eixos da Avenida Paulista, da Faria Lima e do Itaim Bibi reúnem bancos, gestoras e a B3, principal bolsa de valores da América Latina, enquanto tecnologia, saúde, ensino superior, comércio e logística completam um parque produtivo de alcance nacional.

Caminhos, trilhos e avenidas — cada camada de transporte redesenhou a cidade. O resultado medido pelo Censo 2022 é a maior metrópole do Brasil, capital paulista ainda apoiada na colina entre o Tamanduateí e o Anhangabaú.